
― Você nem consegue disfarçar.
― Disfarçar?
― Você falta babar quando ele tá por perto.
― Não é verdade.
― Você sabe que é.
― Mas a culpa não é minha.
― É de quem então?
― Dele. Ele é tão… droga, perfeito.
― Não é não.
― Claro que é. Ele sabe tudo de trigonometria. Eu babo porque não tem coisa mais linda que ele resolvendo uma função tangente. Ele é tão inteligente.
― Todos os professores de matemática também sabem fazer isso. Eu sei. E nem por isso você fica boba com os outros.
― Ah, mas ele é diferente.
― Ele é igual à todos os outros e tu é uma boba.
― Ele é o que? Ta brincando né? Ele é tão único.
― Só você vê isso. E acha que tudo nele é lindo.
― Claro que não, ele tem o dentinho separado. Igual à Madonna. É lindo.
― Você gosta da Madonna?
― Não.
― Acha bonito o dentinho separado dela?
― Não.
― Então.
― É que nele, fica lindo.
― Você consegue pelo menos enxergar algum defeito nele?
― Ah, ele é meio antipático e…
― Ah bom, pelo menos um.
― … mas eu amo isso nele.